sexta-feira, 26 de setembro de 2008

LIVRO SOBRE UMA VIAGEM PELO AMAZONAS...

Ando a escrever um livro sobre uma viagem que fiz, com Rô, subindo o Amazonas, de Belém a Manaus. Mas... minha produção tem sido muito escassa. Ainda não tenho material suficiente para uma publicação.
Aqui vai um trecho dele.

(...) No mercado VER-O-PESO o que mais nos prendeu a atenção foram umas barracas, dezenas delas coladas umas nas outras, expondo ervas, raízes, garrafadas com conteúdos de estranho colorido e milhares de pequenos frascos com multicoloridos líquidos e ingredientes que prometem a cura para todos os males. E o alho macho, o olho de boto, as escamas de pirarucu, o sexo de bota, os cornos de búfalo, o fumo de rolo e o sal grosso, além de imagens de santos de todas as religiões. A vendedora olha-me nos olhos e faz o diagnóstico:
― Viagra natural? Garrafada? Fique à vontade freguês.
A rádio toca um forró: “Agora é que ficou bom, Chegou o Chico Rola no forró do Zé Bonito (...) Levanta a mão quem quer namorar pelado (...) Tá do jeito que eu gosto, ela liberou geral”.
Os frasquinhos realizam milagres, expressos nos seus rótulos: “Chama ele”, “Chama ela”, “Chega-te a mim”, “Pega e não me larga”, “Chora nos meus pés”, “Volta pra mim”, “Vai mas volta”, “Desejo”, “Cai nos meus braços”. Quebram feitiços, curam doenças, afastam o mau olhado.
Defumadores, colares de sementes coloridas, raízes, cascas de árvores, incensos, bálsamos, perfumes, unguentos. Velas de 7 dias, de 11 dias, de 21 dias, de...
― Arruda? Jasmim? Patchoulli? Água de colônia? ― pergunta outra vendedora, me sugerindo algo mais brando.
Sorrio, abano a cabeça negativamente, é difícil fugir das vendedoras. Escapa-se de uma e está-se logo ao encalço de uma outra.
E a rádio agora parece acompanhar o tom dela: “Que saudades da professorinha que me ensinou o B-A-BA. Onde andará Mariazinha...”
Cuias trabalhadas minuciosamente, algumas com pinturas, outras com finos golpes que lhes conferem formatos geométricos belíssimos, e potes, jarros, cinzeiros, peças decorativas em cerâmca marajoara são vendidas em várias tendas. E não só no Ver-o-Peso. A cerâmica, embora originária da Ilha de Marajó encontra-se à venda por toda a cidade. Atualmente o polo de produção é em Icoaraci, pequena localidade a cerca de vinte quilómetros de Belém.

Junto ao cais, compramos redes e cordas para a subida do Amazonas e para as curtas viagens que estamos planejando fazer à Ilha de Marajó e ao litoral do Pará... (...)

Um comentário:

Rosangela disse...

Boas lembranças meu amor!