sábado, 6 de julho de 2013

CONCURSO DE MICROCONTOS

Participei do 3° Concurso de Microcontos de Humor, de Piracicaba, São Paulo.
O regulamento exigia que os microcontos tivessem no máximo 140 caracteres, incluídos o título e os espaços.
NÃO FUI CLASSIFICADO, mas aqui vão os dois contos que enviei:




OBITUÁRIO
O jornal destaca, no obituário, a missa de 7º dia da minha morte. Espeto-me uma agulha. Da minha foto, no jornal, respinga sangue.



SONHO
Adormeceu e sonhou que singrava os sete mares abraçado a uma bela sereia. Acordou com hálito de peixe e os lençóis cheios de escamas.


CRÍTICA NA "FOLHA DE SÃO PAULO"

Foi publicado hoje na "Folha de São Paulo", um dos mais importantes veículos de comunicação da América do Sul, um comentário a meu livro 
"Da Guerra dos Mares e das Areias".
Aqui vai, com o respectivo link:


Autor cria versão poética para explicar fenômeno das marés
LAURA MATTOS
DE SÃO PAULO
Alguém sabe por que ora a maré está baixinha e sobra aquele montão de areia na praia e ora o mar está quase chegando à calçada?
O escritor Pedro Veludo conta nesse livro sua versão poética para esse fenômeno.

As ilustrações de Murilo Silva, inspiradas na técnica de xilogravura, ajudam o leitor a navegar pela história.
Não vamos estragar aqui a surpresa, apenas contar que um dos responsáveis por isso é um búzio cor-de-rosa.
"DA GUERRA DOS MARES E DAS AREAIS"
AUTOR Pedro Veludo
EDITORA Quatro Cantos


terça-feira, 18 de junho de 2013

CRÍTICA A "DA GUERRA DOS MARES E DAS AREIAS"

Têm saído na mídia vários comentários e resenhas (felizmente até agora todos favoráveis...) sobre meu mais recente livro "Da Guerra dos mares e das Areias". Aqui vai um deles, de Stela Loducca:
14 de junho de 2013

A Guerra dos Mares e das Areias


Li hoje o livro de um escritor que eu ainda não conhecia, o português Pedro Veludo.
Da Guerra dos Mares e das Areias, ilustrado por Murilo SIlva, mexe com o imaginário da gente de uma forma muito poética.
A narrativa conta como as coisas foram se encaixando lá no comecinho do universo, como foram se formando no meio daquele rebuliço todo, cada qual tentando encontrar o seu caminho.
Montanhas que que não sabiam se ficavam juntas ou separadas, lagos que não sabiam se seriam de água doce ou salgada e assim a natureza ia tentando se ajeitar em harmonia.
Com exceção dos mares e das areias que entraram em pé de guerra numa disputa sem fim.
Os mares achavam as areias silenciosas de mais e, estas por sua vez, achavam os mares muito barulhentos. E o imbróglio segue até aparecer o búzio rosado para dar cabo da confusão.
Não vale aqui revelar o final dessa história.
Só adianto que Pedro Veludo me surpreendeu com tamanha poesia.

http://blog.opequenoleitor.com.br/livros/a-guerra-dos-mares-e-das-areias/

quarta-feira, 22 de maio de 2013

DA GUERRA DOS MARES E DAS AREIAS

Foi lançado em São Paulo, pela Editora Quatro Cantos, o livro DA GUERRA DOS MARES E DAS AREIAS, meu mais recente título.
Abaixo o texto de apresentação que retirei do site da editora:

Em Da Guerra dos Mares e das Areias 
Pedro Veludo conta uma fábula encantadora sobre o mecanismo das marés nos primórdios da Terra. O eterno ir e vir das ondas sobre as areias aparece como um conflito, uma batalha entre os personagens. Mas o búzio rosado propõe uma conciliação entre os barulhentos mares e as silenciosas areias. A pequena concha também sugere a Lua como mediadora do acordo de paz, ficando responsável pela regulação das marés.

ESTA HISTÓRIA COMEÇA HÁ MUITO TEMPO, HÁ BILHÕES DE ANOS. COMEÇA ANTES MESMO DE AS ÁGUAS FORMAREM OS RIOS E OS MARES E BEM ANTES DE AS MONTANHAS E AS PRAIAS SEREM COMO SÃO AGORA. ELA CONTA COMO TUDO FOI DEVAGARZINHO TOMANDO O SEU LUGAR. MAS SE VOCÊ POR ACASO JÁ APROXIMOU AO OUVIDO UMA CONCHA EM CARACOL, DEVE TER SE PERGUNTADO: 
— SE TUDO ESTÁ NO SEU DEVIDO LUGAR, O QUE O MAR ESTÁ FAZENDO ALI DENTRO?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

ENTREVISTA NO BLOG LEITURA INFANTIL (Marília Borralho)


Saiu hoje uma entrevista minha para o Blog LEITURA INFANTIL,
Abaixo o link:

http://leiturainfantil.wordpress.com/2013/05/16/bruno-e-amanda-historias-misturadas/


Alguém já imaginou ler um livro que uma história vira duas e dessas duas surge uma nova história? Bruno e Amanda: histórias misturadas, de Pedro Veludo, é assim. Um sonho-conto-prosa como o próprio autor classifica, e que se torna uma ótima leitura para crianças, jovens e adultos, na medida em que o leitor viaja entre o lúdico e a realidade, num contexto poético bem fácil de se entender. E esse autor que é português, mas se mudou aos seis anos para Moçambique e lá se formou em engenharia de telecomunicações, fez também teatro, música, veio para o Brasil e enfim tornou-se escritor de livros infanto-juvenis, como é o caso de Bruno e Amanda, e com Viagens de Raoni foi premiado em 1990 pela FNLIJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria criança. Além disso coleciona algumas crônicas e um romance, além de textos para teatro de bonecos, premiados pelo Inacen – Instituto Nacional de Artes Cênicas, peças de teatro montadas no Brasil, México, Portugal e EUA, e roteiros para jogos educativos. Ufa!, tá bom para vocês? Realmente a ideia de escrever um livro com muitas histórias não poderia ser diferente. Até porque “Bruno e Amanda” também pode ser a história do próprio autor ou a nossa própria história e como o título define: todas bem misturadas. E de tão intrigante que foi ler Bruno e Amanda, o Leitura Infantilresolveu fazer algo também diferente: levar as pessoas que nos acompanham uma entrevista exclusiva com Pedro Veludo. Vale lembrar que o livro Bruno e Amanda leva o selo FSC – Forest Stewardship Council – uma garantia de que o papel utilizado em sua fabricação vem de fontes ambientalmente responsáveis. Aliás todos os livros da Editora Quatro Cantos têm o selo FSC. Uma bela iniciativa e um exemplo a ser seguido por outras editoras. Preço sugerido R$ 35,00. Informações www.editoraquatrocantos.com.br Boa leitura!
L.I: Como aconteceu essa mudança tão grande em sua vida: passar de engenheiro para escritor? Qual foi o momento definitivo em que disse para você mesmo: vou ser escritor…
Pedro Veludo: A mudança em minha vida aconteceu aos poucos. Quando fazia UNI-RIO (Faculdade de Teatro, no Rio de Janeiro), comecei a escrever peças de teatro para um grupo que formamos na faculdade. Um dia, a dona de uma editora carioca que assistia a uma de minhas peças, no final da representação, me perguntou se eu transformaria aquela peça em um conto infantil. Foi o início. O momento definitivo foi o pedido de demissão de meu emprego como engenheiro. Na época estava sendo promovido… foi difícil. Mas foi definitivo.
L.I: Em um primeiro momento ao ler Bruno e Amanda, tive a impressão de que o Bruno está em você e você no Bruno. Estou certa?
Pedro Veludo: Não é só o Bruno que está  em mim. Sem exceção, isso se aplica a todos os meus personagens. Estão todos em mim e eu estou em todos eles. Eles são pedaços de mim, facetas ocultas, facetas não tão ocultas, porções de minha carne, de meu sentir, meus desejos, minhas dificuldades, medos, anseios, receios, tudo, ou quase tudo…
L.I: Realmente nunca havia imaginado ler uma história que de repente se transforma em duas e depois em uma só, mas que cada uma tem sua própria identidade, sem se misturar definitivamente. Abriu um leque diferente para outras percepções literárias. Um modo particular e muito interessante de se escrever um livro e consequentemente de se ler também. Nesse contexto, você quis provocar algo mesmo diferente no leitor?
Pedro Veludo: Não, não quis provocar nada no leitor. Apenas me deu prazer escrever assim, ponderar sobre algumas dificuldades da escrita que são minhas, divertir-me, brincar com o leitor. A escrita para mim é um modo de estar. Não escrevo para ninguém, a não ser para mim mesmo. Escrevo porque preciso escrever. Claro que, ao permitir a edição de algo que escrevi, pretendo partilhar meu sentir com quem me lerá. Mas não escrevo para ninguém mesmo.
L.I: Embora o livro seja infanto-juvenil, li para o meu filho de cinco anos e percebi que ele se interessou pela história. E deu até um final para ela e disse: “…eu acho, mamãe, que a Amanda só vai encontrar o Bruno quando sair e entrar no livro dele… mas o dicionário voltou!, e …..xiiiii, e agora? Como ela vai encontrar o Bruno?” Embora pareça que a Amanda não sai da sua história, nem por um instante, ela poderia ter estado mesmo fora dela em algum momento?
Pedro Veludo: Sim, Amanda poderia ter estado fora de sua história, bem como outros personagens de ambos os livros de Bruno e Amanda. Essa história exigiu uma construção quase cirúrgica. Posso dizer sem medo de errar que foi o conto infantojuvenil que me deu mais trabalho. Havia que interromper ambas histórias, em um ponto onde fosse possível recomeçar uma nova. Nesse aspecto, fez-se desnecessário que Amanda saísse de sua história.
L.I: A história de Bruno e Amanda é também um pouco da história de cada um de nós, na medida em que pode haver um recomeço, uma nova história que se mistura, às vezes, com outra?
Pedro Veludo: Acho que Bruno e Amanda tem muito, mas muito mesmo das histórias de todos nós. De todas as histórias. A toda hora a vida muda. A mudança está sempre acontecendo (está escrito lá, no livro, na bolsa de seda que Bruno dá de presente a Amanda). Se não a percebemos é porque nossos sentidos são deficitários… E as histórias das nossas vidas estão sempre se misturando. A toda a hora.
L.I: Qual o significado do dicionário, que fica entre Bruno e Amanda? Ele está como uma espécie de “pedra no sapato” ou a “cruz de cada um” e que em determinados momentos deixa de apertar os nossos pés ou pesar em nossas costas, embora nem sempre estamos perceptíveis a isso?
Pedro Veludo: A cruz de cada um é, a meu ver, o que nos dá força para viver e sermos felizes. Sem “cruzes” a vida seria um tédio e, sendo tédio, não seria vida. Viver com tédio não é viver. O dicionário poderá representar o muro, os muros que todos temos que pular e sem os quais nada teria significado, nada seria interessante, nada valeria a pena. Pular muros, encarar os dicionários, é viver.
L.I: Bruno é um texto poético, cheio de sonhos. Amanda é uma espécie de conto. E os dois quando se encontram formam uma prosa?
Pedro Veludo: Gostaria que ambos os livros de Bruno e Amanda fossem lidos e sentidos pelos leitores como sonhos-contos-prosas.
L.I: A Amanda só volta a sorrir após encontrar, digamos assim, o seu príncipe encantado. Você acredita que a felicidade está aí: no encontro de um amor verdadeiro? Ou como diria o poeta Vinícius de Moraes: “Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.”
Pedro Veludo: Acho que a felicidade é  uma forma de estar na vida. Uma maneira de olhar o mundo. Para essa forma, para essa maneira, contribuem, a meu ver, preponderantemente o amor, a solidariedade, o carinho, a amizade, o trabalho…
L.I: E voltando a Vinícius de Moraes porque vi também em seu livro um pouco dele, principalmente nas últimas páginas, onde o leitor fica muito à vontade para pensar e construir o final que lhe achar mais conveniente. E emboraBruno e Amanda caminhem juntos de mãos dadas por uma rua também sem um fim, a ideia é “que não seja imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure”?
Pedro Veludo: Sim. Sempre: que seja infinito enquanto dure. Você mencionou justamente a poesia de Vinícius que mais me toca. Propor ao leitor que escolha o final visa dar-lhe oportunidade de sentir e pensar mais.
L.I: Os seus filhos ajudam você a construir os personagens para os livros que escreve? Dão sugestões ou você procura manter um certo mistério até a obra ser publicada?
Pedro Veludo: Os meus filhos ajudam na construção de personagens, do mesmo modo que as pessoas que me rodeiam, os eventos que se desenrolam à minha volta e o que se vai desdobrando dentro de mim. No que se refere a ler algo que escrevo: nunca ninguém lê seja o que for de uma história minha antes dela estar pronta (ou praticamente pronta). Mas, respondendo à tua pergunta de modo mais objetivo, meus filhos quando eram mais jovens, não ajudavam… prejudicavam e muito, me solicitando o tempo todo… rs.
L.I: Como você classifica o momento em que as literaturas infantil e infanto-juvenil vivem no Brasil? Porque eu percebo muitos autores escrevendo para esse universo, muitos livros, embora o incentivo à leitura no país venha mais das escolas do que propriamente dos pais e das mães.
Pedro Veludo: Acho que vivemos um boom! Há sim muitos autores, muitos livros sendo editados. E creio que isso seja muito bom. Permite maior escolha, maior seleção. Não estou é seguro de que o maior estímulo à leitura venha das escolas. Tampouco dos pais. Isto, em geral. Acredito que não há estímulo proveniente de parte alguma. Visito muitos colégios, que adotam meus livros e constato isso. Não há estímulo à leitura. Claro que há honrosas exceções.
L.I: O livro Bruno e Amanda é feito em papel produzido por fontes responsáveis. A ideia de fabricá-lo dessa maneira foi sua, da Editora Quatro Cantos ou foi uma parceria?
Pedro Veludo: A ideia partiu da editora, mas evidentemente eu endosso. Em 1992 eu mesmo editei um livro elaborado com papel reciclado: “A Fábrica de Pipas”. Creio ter sido, no Brasil, uma iniciativa pioneira, pois na época não se falava muito em reciclagem.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

GATOS

Gosto dos gatos que deambulam pelos telhados, que comem restos de comida, que roubam sardinhas...

terça-feira, 7 de maio de 2013

PUBLICAÇÃO NO BLOG DE CRISTINA SÁ

BRUNO E AMANDA: HISTÓRIAS MISTURADAS marca o início do catálogo infantojuvenil da editora 
QUATRO CANTOS 
Este  livro  conta a  história de  dois  livros, que se  encontram  numa  estante, separados apenas por um Dicionário de Português. Os personagens destes livros,  ao  se  encontrarem, darão  um  rumo diferente para suas  histórias  e destinos.

" Não sei se o que vou contar é apenas uma história. Talvez sejam duas, ou até mais. É que uma história nem sempre é só uma história. Dentro dela, às vezes, há uma outra; dentro desta, ainda outra, e assim por diante. Em algumas ocasiões, uma história continua numa segunda, que já tinha começado, e se transforma numa terceira, nova, diferente. Outras  vezes, as histórias se  misturam. É o caso desta que eu  vou  contar. Elas acabaram  se misturando de tal modo que não consigo ver muito bem onde é que uma começa ou termina. Também por  isso, tenho sempre dificuldade em começar a contar..."                        
(página 5)

Bruno, protagonista do livro "Os mapas de Bruno" é curioso  e aventureiro. Ele vai interagir com Amanda, uma princesa triste, que tem a sua história contada no livro" O  mistério do sumiço do sorriso da princesa ". É aí que as histórias vão se misturar, num  mundo repleto de  encantamento. Além de elementos  típicos de  contos de fada, tão adorados pelas crianças, a
obra traz também uma  reflexão  sobre  o significado e a importância das palavras e como são construídas as histórias.
Que nova história surgirá do encontro dos personagens Bruno e Amanda?


O AUTOR E O ILUSTRADOR:

SURGE UMA NOVA  EDITORA - A QUATRO CANTOS:
A editora QUATRO CANTOS é um passo natural de seu fundador, Renato 
Potenza Rodrigues, formado em editoração  pela Universidade de São Paulo, que trabalha há quase vinte anos com produção de livros e há onze, dirige uma agência  editorial, que presta serviços a grandes editoras. A experiência  com o mercado editorial foi fundamental para lançar um selo  próprio. A linha editorial da  QUATRO CANTOS pretende revelar talentos literários, além de focar em autores nacionais e  internacionaisde ficção ( romance e novela), poesia e infantojunenil. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

"BRUNO E AMANDA, HISTÓRIAS MISTURADAS", meu mais recente livro...

Foi lançado, semana passada, em São Paulo (Brasil) meu mais recente livro: BRUNO E AMANDA, HISTÓRIAS MISTURADAS, pela Editora Quatro Cantos.


O livro está disponível nas melhores livrarias brasileiras.
Abaixo o simpático texto que a editora colocou, como apresentação.

Esta é a história de uma grande aventura com viagens fantásticas, mapas misteriosos e passagens secretas! Ou será um conto de fadas com direito a princesa terrivelmente enfeitiçada? Talvez seja uma história de amor, ou uma história que fala das palavras e de como são construídos os livros e as histórias. Na verdade, Bruno e Amanda: histórias misturadas, é muito de tudo isso, bem misturado! O premiado autor Pedro Veludo conduz os pequenos leitores, por meio de narrativa cheia de aventuras e mistérios, a uma linda viagem no universo dos livros e, ao mesmo tempo, abre o horizonte da imaginação para a proposição de outros finais e outras histórias, dividindo com eles a fagulha da criação literária. O livro conta com poéticas ilustrações de Henrique Koblitz.

Mais informações no site: http://www.editoraquatrocantos.com.br/index.php/lancamentos

terça-feira, 9 de abril de 2013

FEIRA DA LADRA


Lisboa, sábado, Feira da Ladra






Pedaços de Portugal encaixotados
Sábado, dia de feira. Da Ladra. Documentos remontam-na ao século XII, reinado de Dom Afonso II.
Adicionar legenda
Livros a um euro...
Caminho ao acaso por entre as mais variadas quinquilharias. Azulejos (pedaços de Portugal encaixotados), números de portas  (o que fará o carteiro sem eles?), livros a um euro, o artesanato africano (feito em Alcabideche) e absolutamente TUDO o que se possa imaginar, das mais variadas épocas e procedências.
Os novos profetas
Bem à entrada, constato que algo permanece intacto do século XII: os profetas! Anunciando os castigos vindouros e as graças nem sempre fáceis de alcançar, lá estava um…

sexta-feira, 22 de março de 2013

SÉTIMA VIRTUDE: TEMPERANÇA


Vila Viçosa, Portugal. Paço Ducal, Casa de Bragança

Visitamos mais de trinta salas e, segundo o simpático guia, não adentramos nem na quarta parte das salas do paço.
Terreiro do Paço (dos Duques de Bragança); estátua equestre de Dom João IV
Na “Sala das virtudes” lá estão representadas as sete virtudes. Porém, como o teto é octogonal, o ilustrador “inventou” uma oitava virtude, para preencher o incômodo espaço vazio que aquela porção de teto lhe incutia: “A Sabedoria”, assim lhe chamou. E desenhou uma mulher com adereços alusivos.
Uma dúzia de salas adiante, chegamos aos aposentos onde dormiam os duques. Chama-me a atenção o reduzido comprimento dos leitos. Explica o guia que nossos reais antepassados eram acometidos de uma superstição, por isso dormiam apenas encostados e não deitados nas camas. A superstição? A de que poderiam morrer se se deitassem. E… morriam mesmo! Ao se deitarem de barriga cheia, empanturrados de comezainas e banquetes, não raro morriam de indigestão.
Mais tarde, na pousada, após uma orgia de doces conventuais, coloco as almofadas em posição conveniente e durmo recostado.

sábado, 9 de março de 2013

RECEITA PARA SER UM TURISTA IMPORTANTE

Segue a receita para se ser um turista importante (que não lhe "assente a carapuça", leitor)


O turista importante pode ser homem ou mulher, ou até mesmo criança. Não importa sexo ou idade. O que faz um turista ser importante, são suas atitudes.
O turista importante não se hospeda em casa de amigos ou simples pousadas, onde o contato com residentes tangencie a informalidade. Ele fica em hotéis de luxo, com um conforto mínimo, em tudo semelhante ao de sua própria residência: tapetes felpudos no chão e amplos sofás. Nesses hotéis não é preciso conversar com ninguém local. Para que as necessidades sejam satisfeitas, basta encomendar ou ordenar o que se precisa, por telefone, sem mais problemas ou intimidades.
O turista importante exige sempre um apartamento com ar refrigerado. Nada de janelas abertas, pois nunca se sabe o que pode vir junto com o ar fresco.
O turista importante não se arrisca a provar a cerveja local ou o destilado produzido no país que visita. Para ele, o whisky a que se acostumou, é o aperitivo que o satisfaz.
O turista importante tampouco come a comida local, pois não pode passar sem um bife mal passado, o arroz no ponto e as batatas fritas bem sequinhas.
O turista importante não viaja nunca nos transportes públicos dos locais que visita, pois não há nada que chegue a um bom taxi com ar refrigerado e vidros fumé.
O turista importante não se arrisca a perder tempo assistindo a manifestações culturais locais, como a dança ou a música, a menos que sejam organizadas por alguma empresa de turismo credenciada (credenciada no país dele), e caso não haja nenhum jogo de futebol importante, a ser transmitido pela TV via satélite do seu hotel.
O turista importante sempre compra lembranças para levar para casa, muitas vezes ícones de lugares que ele não teve disposição para visitar, mas que estão disponíveis nas vitrinas, atendidas por funcionárias muito atenciosas, das lojas situadas no térreo do hotel onde ele está hospedado. Aliás uma das características de determinados turistas importantes é visitar outro país como se esse país, todo ele, fosse uma espécie de supermercado gigante. E voltam para casa descrevendo o lugar que visitaram, como se ele fosse uma sucessão de vitrinas, com utensílios e coisas à venda.
O turista importante bate fotos e filma os locais de interesse turístico. Os filmes são feitos de dentro de coletivos fretados pelo hotel ou em mirantes conhecidos, seguros, guardados, vigiados, quase tranquilos, quase selados. As fotos que o turista importante bate, são como devem ser: prédios, monumentos, praças, obeliscos e paisagens, que serão tão mais interessantes quanto mais parecidas forem as fotos, com os postais que retratam esses mesmos prédios, monumentos, praças, obeliscos e paisagens. Afinal, como provar, no regresso a casa, que ele visitou esses locais?
O turista importante tem que ter sempre o celular funcionando, pois ele precisa o tempo todo estar conetado com o lugar de onde vem, não vá se conetar por engano, com o país que visita.
O turista importante, a não ser com a indispensável orientação de um guia que lhe aponte o que é importante ser visto, raramente sai a pé pelas ruas e praças dos locais que visita. Além de não ser de bom tom, não seria seguro, pois encontraria pessoas do local com as quais se relacionaria, e poderiam ocorrer imprevistos.
Aliás, imprevistos são eventos que nenhum turista importante quer ter. Os únicos toleráveis poderão ser o bife do jantar mais passado do que deveria, ou a água do banho não estar suficientemente quente.
Finalmente o turista importante regressa a casa com a visão que de fato interessa ter, a visão padrão dos locais que visitou, em tudo semelhante à visão que outros turistas importantes que o precederam nesses locais ficaram, e à da que turistas importantes que virão depois dele, terão.
Nem sempre é fácil ser um turista importante. Afinal, muitos dos locais visitados têm normas, hábitos e comportamentos no mínimo diferentes, por vezes estranhos. E é difícil no curto tempo de uma visita impor aos locais, os hábitos e comportamento do lugar de onde se vem. Mas, vale a pena tentar...

MACEIÓ


Maceió, Alagoas, Brasil

No check-in do voo que me levará a Maceió, apresento, não sem um certo constrangimento, um pedaço de papel, onde havia escrito à mão, o número de meu e-ticket. A moça olha o papel, vira-o de um lado e do outro, me olha, volta a olhar o papel e… aceita meu rabisco.
Já em Maceió, no aeroporto Zumbi dos Palmares penso, olhando as modernas instalações, o que Zumbi acharia de tudo aquilo. Dispenso os insistentes convites das empresas de táxi, e pego um ônibus que acabava de entrar no meu campo de visão: Aeroporto-Ponta Verde, justo para onde pretendo ir. Assim que entro, descubro que não só entrei num ônibus, mas também no século passado: a cobradora entrega-me um bilhete de papel numerado (uma numeração sequencial, onde meu número é único), com a data e hora do trajeto manuscritos por ela mesma, à minha frente.
Saio do ônibius exatamente na porta do hotel que me haviam reservado e entro de novo no século atual: WiFi, chave eletrônica do apartamento, atendimento computadorizado.
Maceió, da brisa constante à beira mar, das tapiocas e da água de coco insuperável. Do calçadão orlado de coqueiros e amendoeiras, e também acácias iguais às daquela cidade africana voltada para o Índico. Aqui os veículos param ANTES da faixa de pedestres! A primeira vez que um ônibus assim procedeu, não arrisquei atravessar: pensei que tivesse enguiçado e que a qualquer momento fosse avançar.
Maceió do Motel “Ceqsab”Fico imaginando a cara do espertalhão que, num primeiro encontro, pergunta à tímida moça: “Onde você quer ir?”
Como acontece em todas as cidades, aqui há várias Maceiós. Aquela onde me hospedo, desde que se fique voltado para o mar, portanto, de costas para os espigões que que parecem aumentar em número da noite para o dia, é belíssima. 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A ESTÂNCIA DE VERÃO DO PAPAI NOEL



Penedo, estado do Rio de Janeiro, Brasil

Cansado do frio constante, Papai Noel fundou nos trópicos uma estância de verão. Em Penedo, no estado do Rio. Verdade? Não, é uma brincadeira, claro.
Penedo, foi fundada por Toivo Uuskallio, um finlandês vegetariano que, querendo levar uma vida natural, plantando e colhendo todo o ano, coisa impossível na Finlândia devido ao rigoroso inverno, se encantou pela região e, em 1929, comprou a Fazenda Penedo.
Hoje o local é um aglomerado de pousadas e hoteis. São tantos que toda a população do lugar não chegaria para os ocupar a todos!
Cachoeiras, belas trilhas, muito chocolate, saunas ― a palavra “sauna” vem do finlandês e significa banho ― e, na Pequena Finlândia, num conjunto comercial que reproduz uma pequena cidade finlandêsa, situa-se a Casa do Papai Noel!
Na Casa do Papai Noel, qualquer um pode conversar com o dito, segundo apregoam, o autêntico ― sem as renas ― mas pareceu-me que nem tudo por lá está de acordo com o esperado: escutei um garoto saindo da casa, e comentando com a mãe:
― Mãe, ele não falou “Oh! Oh! Oh!” nem uma “vezinha”?!
O Papai Noel dos trópicos, dito o autêntido, decepcionou.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

LER x ESCREVER


A meu ver, Ler e Escrever são duas atividades irmãs, relacionadas.

Quando escrevo me leio, me detenho em mim. Passo para palavras de papel o que me vai dentro.
Quando leio, me escrevo na matriz, que é o livro. Crio uma história com as palavras que o autor grafou e que agora me empresta.


Um texto é um pretexto para que o leitor se coloque

Acho que o livro é como uma casa onde posso arrumar meus móveis interiores.

Não me lembro onde li a frase que se segue, não recordo o autor, mas me identifico plenamente com ela:


Nos livros e nas nuvens, cada um lê/vê apenas o que tem dentro de si.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Escrevo...


Escrevo, pois as palavras, pronunciadas, atropelam-me ideias, incompletam-nas, deturpam-nas, deturpam-me. Desenhadas no papel elas permanecem mais tempo que o tempo, desdobram-se, germinam sentidos, passam além de mim, multiplicam-me.
Palavras, leva-as o tempo, poderia ser o dito. Mergulhadas no rio-tempo, são jogadas às margens e apanhadas por quem delas se embebedará. Alguém que, apenas porque o tempo-rio corre, nem sequer é mais quem foi…
As palavras, pronunciadas, mudam, emudecem, trocam-se, enveredam caminhos outros…
Por isso, escrevo.


AS SETE VIDAS DO BAIXINHO

BAIXINHO  e eu

Ilha Grande, praia da Biquinha
Na praia da Biquinha, converso com Baixinho, ou melhor… ouço o que ele conta.
Sessenta e três anos, marinheiro, pescador, artesão, marceneiro, boletim meteorológico certeiro, construtor de canoas, mateiro, cozinheiro, profundo conhecedor das plantas e animais da ilha, etc, etc… tem sete vidas.
─ As coisas só acontecem quando tem que acontecer; a gente só vai quando tem que ir ─ sentencia.
E ele terá sete vidas mesmo.
Certa vez foi mordido por um morcego. Dormia em uma cabana de pau a pique e não se deu conta. A mordida deve ter atingido um vaso sanguíneo no dedo do pé que sangrou a ponto de encharcar o lençol, o chão e escorrer pelas tábuas. Algo o acordou, passou a mão pela perna. Sentiu-se desfalecer. Andou uma semana se enroscando pelos cantos. Anemia.
De outra feita, cansado de olhar os sanhaços devorando o cacho de bananas da sua bananeira preferida, resolveu dar um jeito. Banquinho embaixo da árvore, esticou os braços e cortou o cacho. Mas... uma aranha caranguejeira entrou-lhe pela manga da camiseta. Desmaiou. Passou três dias vomitando. Sobreviveu.
Jararaca
Outra vez sonhou que pegava uma fruta de conde de tamanho avantajado, de cor laranja. Premonição certeira: no dia seguinte, querendo pegar uma manga, vasculhou o chão procurando um galho. Porém, um passo em falso fê-lo pisar numa cobra: jararaca! Segundos volvidos, começaram as alucinações. Tudo em volta dele era de cor laranja. Barcos, árvores, pessoas, tudo. Tudo laranja. Um barco levou-o às pressas a Angra dos Reis, o soro antiofídico salvou-o. Não sem sequelas.
Foi a única vez em sua vida que precisou de um médico.
Ilha Grande, baía de Angra dos Reis


Melhor, foi a única vez que, em uma de suas sete vidas, precisou de um médico.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SARDINHAS ASSADAS

RUA DA MINA

Rua Direita, Rua da Mina, Rua do Arco, Rua da Carreira. Estou numa vila ou cidade portuguesa? Errado. El Jadida, antiga Mazagão, em Marrocos, fica para lá, mas bem para lá de Marrakech. Na costa, a oeste. Ficamos na Cité Portugaise e logo somos invadidos pelo cheiro de sardinhas assadas.
A CISTERNA LUSA
─ C'est bon. C'est comme on fait les portugais. ─ Diz-me o marroquino, virando as sardinhas no fogareiro a carvão.
Os lusos não deixaram por aqui apenas a monumental muralha da vila, os canhões e baluartes e a cisterna.
MURALHAS DA CITÉ PORTUGAISE
Em 1769, cansado das investidas árabes, Marquês de Pombal fez transportar toda a população de Mazagão para o Amapá, no norte do Brasil. Lá eles fundaram Nova Mazagão.


Com direito a sardinha assada...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

PARA LÁ DE MARRAKECH

Viajar para lá de Marrakech, num trem da ONCF é quase tão ruim quanto viajar num trem da Central.
Os trilhos sulcam a terra árida a perder de vista. Terrenos cercados por cactos e pedras. Nas redondezas das cidadelas, o solo parece semeado de sacos a garrafas de plástico.
Súbito, o trem interrompe a marcha. Burburinho, cochichos. De um dos vagões saem dois policiais arrastando um pobre coitado pelos colarinhos. Onde irão no meio deste deserto que parece não ter fim?
Já em Casablanca, à cata dos locais por onde teriam andado Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, descubro que o filme foi integralmente rodado em Hollywood.
Peguei o trem de volta.

domingo, 21 de outubro de 2012

DJEMAA EL FNA


Dizem ser a maior praça de todo o continente africano. Djemaa el Fna em Marrakech, Património Imaterial da Humanidade, será seguramente o lugar mais animado do planeta. A tradução de Djemaa el Fna, ou uma das traduções, é “Assembleia dos Mortos” pois aqui, antigamente, criminosos eram executados e suas cabeças expostas, como exemplo. Mas em lugar algum do mundo se poderia encontrar mais vida: acrobatas, vendedores ambulantes de água, dançarinos, músicos, malabaristas, barracas de comida, contadores de histórias, curandeiros, saltimbancos, faquires, encantadores de serpentes, macacos amestrados, engolidores de espadas, dentistas, vendedores de plantas medicinais, chás para todos os males, doces típicos, cartomantes, vendedores de peles, de pedras, de ovos de avestruz, unguentos, sabão em pasta, especiarias, chapéus de palha, tatuagens em hena, tâmaras, suco de laranja, brinquedos…

Tudo acontece ao mesmo tempo, com sons e aromas exuberantes…
É só escolher o espetáculo e a sessão.

DJEMAAA EL FNA. A praça, de manhã, quase vazia. O património são as pessoas que por lá circulam com suas artes



MARRAKECH


Hospedamos-nos no Riad Medina Azahara, uma casa tradicional marroquina, com um pátio interno cheio de plantas, onde sobressaem bananeiras, laranjeiras, tangerineiras e uma figueira. Ao centro um pequeno lago. O quarto é espaçoso, o colchão confortável, o banheiro tinindo de novo, atendimento  simpático.A noite é silenciosa e ninguém diria que estamos perto da mistura de circo com espetáculo de variedades, feira e jardim zoológico que é a Praça Djemaa el Fna. E silenciosa prosseguiria a noite até um pouco antes das cinco da manhã. A essa hora… surpresa! Do alto do minarete, o muezim, com os altofalantes apontados para a janela do nosso quarto,  clama à oração.Não houve tampões de ouvidos nem almofadas na cabeça que permitissem prosseguir o sono interrompido.



O jeito foi sair da cama, ajoelhar e rezar.