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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

LER x ESCREVER


A meu ver, Ler e Escrever são duas atividades irmãs, relacionadas.

Quando escrevo me leio, me detenho em mim. Passo para palavras de papel o que me vai dentro.
Quando leio, me escrevo na matriz, que é o livro. Crio uma história com as palavras que o autor grafou e que agora me empresta.


Um texto é um pretexto para que o leitor se coloque

Acho que o livro é como uma casa onde posso arrumar meus móveis interiores.

Não me lembro onde li a frase que se segue, não recordo o autor, mas me identifico plenamente com ela:


Nos livros e nas nuvens, cada um lê/vê apenas o que tem dentro de si.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O CAVALEIRO ILUMINADO


Ayamonte, pequeno burgo fronteiriço a Portugal, mais precisamente a Castro Marim. Separa-os ou, como veremos, une-os o Rio Guadiana. Melhor, algo sob o rio. Há quem garanta que existe um túnel debaixo do rio, unindo as vilas.
― Escutam-se ruídos vindos de lá de baixo, sons de vozes, cascos de cavalos… tem um túnel lá, sim.
A idosa senhora fica abanando a cabeça, afirmativamente.
Banco de jardim em Ayamonte (azulejos feitos em Triana)
Sentei-me ao lado dela, num belíssimo banco coberto de azulejos, na praça principal da vila.
― Ayamonte é o lugar mais misterioso de toda a Espanha ― garante, sem parar de abanar a cabeça; e, após uma pausa ―um cavaleiro das Idades Médias passa pelas ruas da vila nas noites de lua nova. Todo iluminado… Assim…
A senhora abre os braços em direção ao sol.
Aya, do ibérico antigo, significa monte. Os romanos, quando aqui chegaram, traduziram a palavra Aya: Mon-tij, que significa, também, monte.
Talvez o nome mais apropriado para o local seja Montemonte
― Mas esse… esse cavaleiro, quem já o viu?
―Ah… muita gente, mas só pelas costas. Os olhos dele furam o coração das pessoas...
      ― Já furaram alguém?
― Já! ― exclama ela ― o último foi no ano passado. Um vizinho meu, por aposta, disse que olharia de frente o cavaleiro e que nada lhe ia acontecer. Quando escutaram os cascos e os cachorros uivando, ele saiu à rua e olhou o cavaleiro.
A idosa senhora faz uma pausa longa, sem parar de abanar a cabeça.
― Mortinho! Caiu mortinho sem um pio sequer. Olhe, é de lá que o cavaleiro vem. Do outro lado, de Portugal. Passa por dentro do túnel e vem procurar a noiva… Ele não sabe que ela se enforcou há muitos anos…
Papeamos um pouco mais, despeço-me e dirijo-me à vizinha Isla Canela. A senhora ficou me acenando, levantando um pouco a mão direita e abanando a cabeça, afirmativamente.
Tomando anotações, em Isla Canela
Em Isla Canela uma água morna convida a um mergulho. Palmeiras ao longo da margem. Nas mansões à beira mar, boa parte delas à venda, os ricos saboreiam conquilhas, regadas a vinho.

No mar em frente, os pobres catam conquilhas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

NO FUTURO

No futuro próximo seremos apenas cinco fotos que alguém hesita entre colocá-las no fundo de um baú ou jogá-las fora.

EU  E MEU PAI
No futuro futuro essas fotos serão seremos poeira indistinta espalhada entre a poeira.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mais uma do Jô!

E isto é lá cara de quem diz a verdade?

Aqui vai uma do Jô (Jorge, Jojo) ou pelo menos a ele atribuída que demonstra sua capacidade de inventar: afirma ele que há um imenso carreiro subterrâneo de formigas que começa bem debaixo do ninho das patas, no Jardim do Bonfim, em Setúbal e vai até à Noruega, mais precisamente até Karasjokque, localidade onde as temperaturas podem chegar a menos 50 graus negativos. A travessia dos rios Tejo e Douro (em Portugal) os insetos fazem-na de balsa e os 50 graus negativos, em Karasjokque, são amenizados por uma característica bem conhecida das formigas: seguindo sempre em fila indiana, cada uma sopra um bafo quente na da frente. As últimas da fila vão falecendo congeladas, é claro, mas são muitas e sempre dá para chegar um número considerável, afinal as formigas constituem 15 a 20% de toda a biomassa terrestre…
Isto, conta o Jô, rindo! Verdade? Ficção? Nunca lhe perguntei o que vão as formigas fazer à Noruega, naquele gelo… receio escutar outra (ia a escrever ficção)