segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Gurupá e os Beneditos
Dou-me conta que a crônica que se segue foi inserida
na tese de mestrado de Maria Aparecida Ribeiro,
foi “vendida”, num site de compra e venda de textos,
publicada no jornal “A Ponte” da Catembe (Moçambique),
publicada no jornal “O ECO” da Ilha Grande (Rio de Janeiro),
publicada na revista on line “Canteiro de Obras”,
plagiada num livreto de crônicas que comprei em Fortaleza há algum tempo,
publicada no livro “Álbum de Retratos”,
mas… não ainda no meu modesto Blog. Aqui vai então:
foi “vendida”, num site de compra e venda de textos,
publicada no jornal “A Ponte” da Catembe (Moçambique),
publicada no jornal “O ECO” da Ilha Grande (Rio de Janeiro),
publicada na revista on line “Canteiro de Obras”,
plagiada num livreto de crônicas que comprei em Fortaleza há algum tempo,
publicada no livro “Álbum de Retratos”,
mas… não ainda no meu modesto Blog. Aqui vai então:
Gurupá, Baixo
Amazonas. Aqui, todas as pessoas, ou quase, se chamam Benedito. Para que se
possa saber de quem se fala ou a quem se designa, as pessoas são referenciadas
pela profissão (Benedito padeiro), pelo lugar onde moram (Benedito da caixa
d’água), ou até por alguma particularidade física (Benedito do braço comprido).
Seu Benedito, o velho, fala-me do forte
de Santo Antônio (que todos chamam de forte de São Benedito), da igreja que,
para não me tornar repetitivo, não mencionarei em louvor de quem foi erigida, e
de mil e uma outras coisas que meus ouvidos não têm capacidade plena de
absorver, tudo com a voz pausada de quem tem todo o tempo do mundo para contar
histórias.
Caminho ao acaso pelas poucas ruas do
lugar, ouço os Beneditos se cumprimentando de um lado para o outro da calçada e
faço um lanche na lanchonete São Benedito.
Às dezoito horas, os alto-falantes da
cidade tocam a ave-maria e eu regresso ao cais, emoldurado pelo dourado
vermelho do sol poente. No caminho, detenho-me a observar o incipiente comércio
de fim de tarde à beira-rio e a tranqüilidade absoluta que transpira das
coisas, das árvores, do rio e dos olhos calmos da gente local. E penso que um
dia volto! Volto, mudo o meu nome para Benedito e me dissolvo na paz do lugar,
escrevendo crônicas, para depois com elas fazer aviõezinhos de papel e
atirá-los do alto em direção ao leito do rio.
sábado, 18 de agosto de 2012
CLARA, PINTA E BORDA
Foi lançado esta semana, na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, meu mais recente "rebento": Clara, pinta e borda, pela Editora Cuore.
Este o breve resumo do livro, no site da editora:

Clara adorava pintar no muro de sua vizinha, a Dona Dalva, que ficava uma fera com as travessuras da menina. Através de expressões populares, o autor conta uma história divertida e bem diferente.
Vale conferir as informações, no site da editora:
http://www.editoracuore.com.br/modules.php?name=Conteudo&pid=40
Este o breve resumo do livro, no site da editora:

Clara adorava pintar no muro de sua vizinha, a Dona Dalva, que ficava uma fera com as travessuras da menina. Através de expressões populares, o autor conta uma história divertida e bem diferente.
Vale conferir as informações, no site da editora:
http://www.editoracuore.com.br/modules.php?name=Conteudo&pid=40
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
SETÚBAL, pura emoção...
| Praia da Anixa, vista da Serra da Arrábida |
Três
dias em Setúbal. Momentos inesquecíveis, pura emoção. Céu azul, lua cheia,
calor e brisa refrescante. Presente especial: Arrábida, paisagem única,
montanha mergulhada no mar. Castelo São Filipe, o perfume das ervas aromáticas
nas manhãs, nas tardes, nos parques, nas estradas. Atalho para os sobreiros. A
argila, o toque do barro na olaria, o retorno às origens, às lembranças de
infância. Feira de Santiago e as bolachas Piedade, as farturas, o show ao ar
livre. Mercado do Livramento: da terra e do mar para a mesa. Sardinha na brasa,
onde tem fumaça tem peixe assado. E os queijos e os doces. Tudo regado com
vinho.
Três
dias em Setúbal.
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Setúbal
sexta-feira, 27 de julho de 2012
O CAVALEIRO ILUMINADO
Ayamonte, pequeno burgo fronteiriço a Portugal, mais
precisamente a Castro Marim. Separa-os ou, como veremos, une-os o Rio
Guadiana. Melhor, algo sob o rio. Há quem garanta que existe um túnel debaixo
do rio, unindo as vilas.
― Escutam-se ruídos vindos de lá de baixo, sons de
vozes, cascos de cavalos… tem um túnel lá, sim.
A idosa senhora fica abanando a cabeça, afirmativamente.
| Banco de jardim em Ayamonte (azulejos feitos em Triana) |
Sentei-me ao lado dela, num belíssimo banco coberto
de azulejos, na praça principal da vila.
― Ayamonte é o lugar mais misterioso de toda a
Espanha ― garante, sem parar de abanar a cabeça; e, após uma pausa ―um
cavaleiro das Idades Médias passa
pelas ruas da vila nas noites de lua nova. Todo iluminado… Assim…
A senhora abre os braços em direção ao sol.
Aya,
do ibérico antigo, significa monte.
Os romanos, quando aqui chegaram, traduziram a palavra Aya: Mon-tij, que
significa, também, monte.
Talvez
o nome mais apropriado para o local seja Montemonte…
― Mas esse… esse cavaleiro, quem já o viu?
―Ah… muita gente, mas só pelas costas. Os olhos dele furam o coração das pessoas...
―
Já furaram alguém?
― Já! ― exclama ela ― o
último foi no ano passado. Um vizinho meu, por aposta, disse que olharia de
frente o cavaleiro e que nada lhe ia acontecer. Quando escutaram os cascos e os
cachorros uivando, ele saiu à rua e olhou o cavaleiro.
A idosa senhora faz uma
pausa longa, sem parar de abanar a cabeça.
― Mortinho! Caiu
mortinho sem um pio sequer. Olhe, é de lá que o cavaleiro vem. Do outro lado,
de Portugal. Passa por dentro do túnel e vem procurar a noiva… Ele não sabe que
ela se enforcou há muitos anos…
Papeamos um pouco mais,
despeço-me e dirijo-me à vizinha Isla Canela. A senhora ficou me acenando, levantando um pouco a mão direita e abanando a cabeça,
afirmativamente.
| Tomando anotações, em Isla Canela |
Em Isla Canela uma água morna convida a um mergulho. Palmeiras ao longo da margem.
Nas mansões à beira mar, boa parte delas à venda, os ricos saboreiam
conquilhas, regadas a vinho.
No mar em frente, os
pobres catam conquilhas.
terça-feira, 24 de julho de 2012
NO FUTURO
No futuro próximo seremos apenas cinco fotos que alguém hesita entre colocá-las no fundo de um baú ou jogá-las fora.
No futuro futuro essas fotos serão seremos poeira indistinta espalhada entre a poeira.
![]() |
| EU E MEU PAI |
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Mais uma do Jô!
| E isto é lá cara de quem diz a verdade? |
Aqui vai uma do Jô (Jorge, Jojo) ou pelo menos a ele atribuída que
demonstra sua capacidade de inventar: afirma ele que há um imenso carreiro
subterrâneo de formigas que começa bem debaixo do ninho das patas, no Jardim do
Bonfim, em Setúbal e vai até à Noruega, mais precisamente até Karasjokque, localidade onde as temperaturas podem
chegar a menos 50 graus negativos. A travessia dos rios Tejo e Douro (em
Portugal) os insetos fazem-na de balsa e os 50 graus negativos, em Karasjokque,
são amenizados por uma característica bem conhecida das formigas: seguindo
sempre em fila indiana, cada uma sopra um bafo quente na da frente. As últimas
da fila vão falecendo congeladas, é claro, mas são muitas e sempre dá para
chegar um número considerável, afinal as formigas constituem 15 a 20% de toda a
biomassa terrestre…
Isto, conta o
Jô, rindo! Verdade? Ficção? Nunca lhe perguntei o que vão as formigas fazer à
Noruega, naquele gelo… receio escutar outra (ia a escrever ficção)…
terça-feira, 3 de julho de 2012
RÁPIDO BALANÇO DE MIM
| Junho de 2012 |
Ganhei cabelos brancos, descobri
que sou mortal, não todo-poderoso. Traços se formaram na pele do meu rosto e
tive filhos, experimentei e me experimentei. Meu olhar, mais lento, enxerga
mais longe, e alinhavei alguns de meus códigos, embora não o suficiente para me
decifrar.
Creio,
cresci.
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domingo, 1 de julho de 2012
AS COISAS QUE MEU IRMÃO CONTA…
Caminhamos, eu e Jô, do Jardim da
Estrela (Lisboa) até à Praça da Armada, em Alcântara. No Jardim da Estrela,
conta ele (e eu não sei se será verdade, tal a fatia de inusitado que permeia o
que ele diz) que a mãe e a tia brincavam às escondidas entre migalhas de pão
jogadas aos patos, marrecos, gansos e afins. Os que por lá hoje andam seriam descendentes daqueles. Às escondidas brincavam elas também no Palácio das
Necessidades, ali mesmo ao lado, onde elas descobriram uma passagem secreta que
ia dar aos… aposentos do Rei Dom Carlos.
– Mas Jô… aos aposentos do rei?
– Sim, claro! – Responde meu irmão
com o olhar mais sincero do mundo – O rei mesmo.
Chegamos à Praça da Armada que o
povo designa de Praça do Zé do Garfo. O Zé é uma estátua de Neptuno, no centro
da praça e o “garfo”, um tridente que ele tinha numa das mãos. Tinha, pois o
tridente foi roubado faz tempo… Então, na Praça do Zé do Garfo, chamemos-lhe
também assim, morou o bisavô dele o qual foi alfaiate dos filhos do rei. Certa
vez o filho do dito alfaiate pegou “emprestada” uma farda de oficial para impressionar a
namorada. Resultado: foi preso e deportado para África. Por lá penou anos a
fio… Mesmo ao lado morava seu tio Casanova, IV Visconde da Várzea da Ourada. De
frente para a praça residiu seu avô que, após calafetar aporta e a janela do
banheiro, ligou o gás, suicidando-se: administrava um cassino clandestino
flutuante de um figurão político, passou a mão nos lucros do dia e foi
descoberto. Bem ao lado moravam os pais. Tinham um gato que odiava o pai e
demonstrava-o urinando em todas as fotos que dele encontrava.
E meu irmão vai desenrolando
histórias.
– Podias escrever um livro –
digo-lhe – nem precisas inventar (mais)
nada. É só relatares fatos acontecidos.
O que ele conta ultrapassa a
ficção. Ou… é ficção.
Retemperamos forças numa tasca ao lado da praça
(tomara que ele não leia esta
postagem)
MENDIGO SINCERO...
Finalmente um mendigo sincero e honesto! Encontrei-o no Chiado, em Lisboa. Organizado, ele tem recipientes para várias opções de esmolas: para comprar whisky ou vinho ou cerveja, ou até para se curar de uma possível ressaca.
Gostei. Coloquei um donativo no recipiente destinado à cerveja.
SETE GRAUS ABAIXO DE ZERO!!!!!
Entre o Rio e Paris. A passageira
ao meu lado ressona alto. Nem os gritos de Bruce Lee que saem dos auscultadores
lhe perturbam o sono. Do outro lado um outro pede mais duas garrafinhas de
vinho: se até agora quase não parou de falar (sem dar a mínima para o fato de
ser ou não escutado), com mais duas garrafinhas…
Na sala de embarque, enquanto
aguardo a conexão para Lisboa, e depois de já ter dado duas voltas ao
aeroporto, tentando em vão esquentar os pés, visto os casacos de lã que trouxe,
embrulho-me no cobertor que peguei “emprestado” da Air France e enrosco-me num
dos poucos aquecedores existentes na sala, que tentam, sem sucesso, elevar a
temperatura ambiente.
Finalmente o comandante anuncia a
aproximação à pista do aeroporto Charles de Gaulle. “São oito da manhã, hora local. O tempo apresenta-se bom, sete graus
negativos. Tenham todos um excelente resto de dia.” Teria eu escutado bem?
O tempo apresenta-se bom, com sete graus negativos? Será ironia do comandante?
Pela vidraça vislumbro o que a
princípio pensei serem seres humanos. Impossível! Com sete graus negativos
serão certamente robôs telecomandados.
“Onde te vi despir, regresso agora para
adormecer ou chorar…”. Frase escrita (autor: J. Co. D.) num muro em uma rua de
Lisboa, perto do Largo de Dona Estefânia. Melancólica, tristonha, enlutada, dramática…
lusitana. Penso como apareceria, usando o mesmo mote, essa frase numa
parede de uma rua no Rio de Janeiro. E reescrevo-a mentalmente: “Onde te vi, regresso
agora para te despir e adormecer agarrado a ti…”.
Adiante
recebo um panfleto do Mestre Astrólogo e Curandeiro, Professor Sharifo Mustafa.
No texto está escrito que ele “descobre todas as causas, ajuda a resolver todos
os problemas, complicadíssimos. Tem soluções fáceis e com garantia”.
Seguramente
ele saberá o porquê da diferença entre a frase escrita e a que eu imaginei.
Vou
lá!
sexta-feira, 29 de junho de 2012
LEONOR... que trabalheira!
Eu e minha linda neta Leonor, no casamento da Natacha (26 maio 2012)... a bichinha deu um trabalho... Como bom e eficiente avô, driblei ao máximo as instruções fornecidas pelos pais dela!
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
São Paulo, São Paulo, São Paulo!
São Paulo. Parques, museus, trânsito louco e poluição...
No Mercado Municipal peço um sanduíche de mortadela. Impossível abocanhá-lo, tal o volume de carne. O sanduíche desfaz-se nas minhas mãos. Olho em volta, procurando auxílio. Reparo que alguns comensais conseguem degustar o dito, com maestria. Assim não vale: o meu não veio com livro de instruções. Atravesso o viaduto do Chá, vou ao Museu da Língua Portuguesa, Pinacoteca e Sala São Paulo. Perco-me no Ibirapuera e no Parque Alfredo Volpi.
Depois subo ao topo da Torre do Banespa. Documento com foto. Não pode levar mochila nem boné. Boné não pode? Não, não pode. Porquê? Não pode! Sofre de vertigem, labirintite? Se sofre, não pode subir. E rappel lá de cima, pode? Trinta e cinco andares, 161 metros, mais 20 centímetros, mais 2 milímetros. Como é que mediram essa coisa com tanta precisão? Também não pode jogar coisas lá de cima, nem cuspir. Ah... bom, melhor assim.
São Paulo, São Paulo, São Paulo!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Meu mundo em Morsing
O riacho Boqueirão Sacra Família encheu tanto que cobriu a rudimentar ponte que liga a casa do sítio onde me hospedo, ao resto do mundo. Estou isolado. O celular não tem sinal, o que aliás nunca aconteceu por aqui. Chove a cântaros. A energia elétrica caiu. A água só sobe à caixa de água com o auxílio de uma bomba elétrica. E o riacho cntinua subindo. Não se vêem os pilares da ponte. São dezenas de córregos que alimentam o Boqueirão ao longo do seu leito, em direção ao rio Piraí. Minhas provisões dão para vários dias, desde que me alimente de atum em lata e macarrão.
Imagino-me num mundo onde só eu vivo e de onde não é possível sair. Tenho livros, papel e caneta. E computador, mas sem energia... E tenho o silêncio, agora perturbado p
elo som do correr das águas, correr esse que afiança inviolabilidade a meu mundo. Do alçapão do sótão, uma fileira de morcegos me espreita. Pensarão: porque diabos esse cara sorri, olhando o riacho?
Passam-se dois, três, quatro dias.
No quinto dia as águas descem e a ponte dá passagem. Meu mundo deixa de existir. Aparece um indivíduo de um sítio vizinho querendo saber se necessito de algo. Sim, respondo, gostaria que destruíssem a ponte ou que a cobrissem de água para sempre. Ele ri, eu finjo que rio.
Regresso ao Rio de Janeiro, cabisbaixo, atravessando a ponte...
Imagino-me num mundo onde só eu vivo e de onde não é possível sair. Tenho livros, papel e caneta. E computador, mas sem energia... E tenho o silêncio, agora perturbado p
Passam-se dois, três, quatro dias.
No quinto dia as águas descem e a ponte dá passagem. Meu mundo deixa de existir. Aparece um indivíduo de um sítio vizinho querendo saber se necessito de algo. Sim, respondo, gostaria que destruíssem a ponte ou que a cobrissem de água para sempre. Ele ri, eu finjo que rio.
Regresso ao Rio de Janeiro, cabisbaixo, atravessando a ponte...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
DE LISBOA PARA O RIO (a bordo do Vision of the Seas)
Passam a ponte, o padrão e a torre, estamos no mar. 1730 passageiros a bordo, 870 funcionários (comandante incluído). Dá um funcionário para cada dois passageiros. Olho em volta: tento encontrar meu meio funcionário...
LAS PALMAS (a bordo do Vision of the Seas)
Parada em Las Palmas. Tempo para visitar, no CAAM (Centro Atlântico de Arte Moderna), a retrospectiva de Robert Kapa. Mais que a famosa foto do soldado, em pé, sendo atingido por um tiro de morte, me chama a atenção a última foto que ele bateu: soldados avançam em colunas por um descampado. O mesmo descampado onde, mais adiante, uma mina antipessoal lhe roubaria a vida.
No bar da esquina tomo uma Tropical, cerveja local.
CRUZANDO O EQUADOR (a bordo do Vision of the Seas)
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